DOCUMENTOS COMPROVAM CÓPIA LITERAL EM REQUERIMENTO APRESENTADO PELO PROMOTOR ALDO CANTERO

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Comparação entre documentos publicada pela imprensa paraguaia demonstra que trecho inteiro da petição apresentada por advogado da parte interessada permaneceu integralmente no requerimento posteriormente encaminhado pelo Ministério Público ao Poder Judiciário. A reportagem também reconstrói a evolução das declarações do promotor e contextualiza o episódio com outros casos envolvendo sua atuação funcional.

 

Comparação documental amplia repercussão da investigação envolvendo o ISICS

Poucos dias após revelar que um trecho da petição apresentada pelo advogado Adrián Yudis havia sido reproduzido no requerimento utilizado para solicitar o mandado de busca e apreensão, a imprensa paraguaia voltou ao tema com uma nova reportagem, desta vez apresentando lado a lado os documentos que fundamentam a comparação.

A publicação reconstrói a sequência dos acontecimentos desde a apresentação da petição ao Ministério Público, passando pela elaboração do requerimento judicial, pelas declarações públicas do promotor Aldo Cantero e, por fim, pelo contexto institucional em que a investigação se desenvolve. Ao longo da reportagem, o veículo sustenta sua narrativa na análise direta das peças processuais, permitindo que o próprio leitor acompanhe os trechos destacados e compreenda a origem da controvérsia.

O requerimento apresentado pelo Ministério Público ao Juízo competente reproduziu integralmente um parágrafo constante da petição elaborada pelo advogado Adrián Yudis, sem alterações em sua estrutura textual. As imagens dos documentos publicadas pelo jornal permitem visualizar a correspondência entre as duas peças e constituem o principal elemento documental da matéria.

 

A comparação entre os documentos

O primeiro documento consiste na petição apresentada pelo advogado Adrián Yudis ao Ministério Público, requerendo a adoção de medidas investigativas relacionadas ao seminário internacional denominado “Imersión ISICS”, realizado no Hotel Crowne Plaza, em Assunção. Posteriormente, o promotor Aldo Cantero encaminhou requerimento ao Juízo Penal de Garantias solicitando autorização para a realização da busca e apreensão no mesmo local.

Ao colocar ambos os documentos lado a lado, a reportagem afirma que um parágrafo inteiro permaneceu literalmente idêntico entre as duas peças.

Entre as expressões destacadas pelo veículo estão:

“Vengo por expresas instrucciones de mi mandante…”

e

“Vengo a solicitar que peticione…”

Essas expressões originalmente integravam a petição dirigida ao Ministério Público e permaneceram no requerimento posteriormente encaminhado ao Poder Judiciário, circunstância evidenciada pelas reproduções fotográficas dos documentos publicadas nas páginas seguintes da matéria.

Além da reprodução textual, as imagens dos dois documentos permitem ao leitor comparar diretamente os trechos destacados e verificar visualmente a correspondência entre eles.

 

O documento do advogado Adrián Yudis, no qual ele solicitava a autorização para a busca e apreensão.

 

 

 

 

O promotor citou textualmente o parágrafo em que solicitava ao juiz o mandado de busca no seminário.

 

A evolução das declarações do promotor

Após a divulgação da primeira reportagem sobre a semelhança entre a petição apresentada pelo advogado Adrián Yudis e o requerimento posteriormente encaminhado pelo Ministério Público ao Poder Judiciário, o promotor Aldo Cantero concedeu entrevistas nas quais apresentou esclarecimentos sobre a elaboração da peça processual utilizada para solicitar o mandado de busca e apreensão.

Segundo a cronologia reconstruída pela imprensa paraguaia, a primeira manifestação pública ocorreu após a repercussão da expressão “mi mandante”, constante do trecho reproduzido no requerimento judicial. Na ocasião, o promotor afirmou que a referência não dizia respeito ao advogado que havia apresentado a petição, mas às instituições públicas que formalizaram a denúncia, especificamente o Ministério da Educação e Ciências (MEC) e o Conselho Nacional de Educação Superior (CONES).

Ao explicar a origem da expressão, Cantero declarou:

“Mi mandante se refiere al Ministerio de Educación y Ciencias y también al Cones (Consejo Nacional de Educación Superior).”

Na sequência da entrevista, entretanto, a publicação registra nova manifestação do promotor ao ser questionado sobre a possibilidade de o texto utilizado no requerimento ter sido transcrito diretamente da petição apresentada pelas partes.

Conforme reproduzido pelo veículo, Aldo Cantero afirmou:

“Yo no sé si se hizo o se transcribió así.”

O promotor também admitiu a possibilidade de o documento ter sido transcrito durante a elaboração do requerimento, sem descartar essa hipótese ao prestar seus esclarecimentos públicos.

A sequência dessas declarações ocupa posição central na reconstrução cronológica apresentada pela reportagem. Após expor a comparação entre os documentos, o veículo passa a registrar, em ordem temporal, as manifestações públicas do promotor, permitindo ao leitor acompanhar a evolução dos esclarecimentos apresentados em resposta às comparações documentais divulgadas pela imprensa.

 

 

 

 

Antecedentes relacionados à atuação funcional do promotor Aldo Cantero

A publicação amplia o contexto do episódio ao recordar outros acontecimentos de elevada repercussão pública que também envolveram a atuação funcional do promotor ao longo dos últimos anos.

O primeiro caso mencionado remonta à investigação envolvendo o ex-presidente paraguaio Mario Abdo Benítez e ex-integrantes de seu governo, em procedimento relacionado à suposta revelação de informações sigilosas ligadas ao ex-presidente Horacio Cartes.

Na reconstrução apresentada, mensagens posteriormente divulgadas indicariam que o advogado de Horacio Cartes teria participado da condução estratégica da investigação, sugerindo providências a serem adotadas no curso do procedimento. A repercussão desse material levou ao afastamento de Aldo Cantero da condução do caso e à abertura de procedimento para apuração de sua atuação funcional. A matéria registra ainda que seu telefone celular não foi apreendido durante essa investigação e o procedimento acabou posteriormente arquivado.

Em seguida, o texto recorda outro episódio envolvendo investigação sobre sete policiais denunciados por suposta falsificação de documentos. Naquele procedimento, Aldo Cantero requereu o arquivamento da investigação, decisão que também recebeu ampla repercussão pública e passou a integrar o histórico de casos associados à sua atuação funcional.

O histórico apresentado inclui ainda referência aos conhecidos áudios do Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados (JEM). Entre as gravações mencionadas aparece a expressão “Aldo canta 50”, citada pela publicação como parte de um conjunto de episódios que repercutiram nacionalmente e passaram a integrar o debate público sobre a atuação do promotor. A matéria limita-se a registrar esse antecedente como elemento de contextualização histórica, sem estabelecer relação conclusiva com a investigação envolvendo o ISICS.

Ao reunir esses episódios, o contexto apresentado permite compreender por que a divulgação da comparação entre os documentos ganhou imediata repercussão no Paraguai. O caso envolvendo o ISICS passou a ser acompanhado dentro de um cenário mais amplo de interesse público sobre a atuação funcional de Aldo Cantero.

 

Por que a divulgação dos documentos amplia o interesse público

A divulgação dos documentos comparativos representa um novo capítulo de uma investigação que já vinha despertando atenção no Paraguai em razão da disputa institucional envolvendo o ISICS. Entretanto, a publicação das peças processuais acrescenta um elemento objetivo ao debate: a possibilidade de comparação direta entre os documentos utilizados ao longo do procedimento investigativo.

Ao disponibilizar as duas peças lado a lado, a reportagem permite que o leitor acompanhe os trechos destacados e compreenda por que determinadas expressões passaram a ocupar posição central nas manifestações públicas posteriormente prestadas pelo promotor responsável pelo caso. Dessa forma, a discussão deixa de se limitar a interpretações sobre os acontecimentos e passa a incorporar documentos que podem ser analisados diretamente.

No conjunto, os documentos publicados, as declarações reproduzidas e a cronologia apresentada explicam por que o caso ultrapassou os limites da investigação originalmente instaurada e passou a receber ampla repercussão pública. A partir da divulgação desse material, o foco da cobertura jornalística passou a alcançar não apenas os fatos investigados, mas também os documentos produzidos durante o próprio procedimento e as manifestações prestadas pelas autoridades envolvidas.

 

Aspectos ainda não esclarecidos da evolução processual

A reconstrução cronológica dos acontecimentos evidencia que as apurações relacionadas ao ISICS produziram diligências investigativas em diferentes momentos. Entretanto, a evolução processual desses procedimentos passou a apresentar percursos distintos naquilo que foi tornado público.

No caso das alegações relacionadas aos documentos cuja autenticidade passou a ser questionada — entre elas a referência a documento atribuído a pessoa já falecida — foram identificadas diligências investigativas, inclusive medidas de busca e apreensão. Contudo, até o momento, não foram localizadas informações públicas indicando o oferecimento de indiciamento, julgamento ou outros desdobramentos processuais relacionados especificamente a esses fatos. Tampouco foram encontradas manifestações oficiais esclarecendo o estágio atual dessa apuração.

Outro elemento que amplia o interesse decorre da comparação documental apresentada anteriormente. A divulgação de trechos textualmente semelhantes entre a petição subscrita pelo advogado de Domingo Guzmán Melgarejo e o requerimento posteriormente assinado pelo promotor Aldo Cantero passou a integrar o mesmo contexto cronológico em que essa diferença na evolução processual é observada.

 

Nota Editorial

Esta reportagem reconstrói os acontecimentos a partir dos documentos, das declarações públicas e das informações tornadas públicas disponíveis até a data de sua elaboração. Como toda investigação em andamento, eventuais desdobramentos futuros poderão ampliar ou modificar o contexto aqui apresentado, razão pela qual esta publicação reflete o estado dos fatos documentalmente conhecidos no momento de sua produção.

As comparações documentais apresentadas nesta reportagem reproduzem informações já divulgadas publicamente e têm como finalidade facilitar a compreensão do leitor acerca dos fatos narrados, preservando a distinção entre os elementos documentais, as declarações atribuídas aos envolvidos e o contexto institucional em que os acontecimentos se inserem.

O Jornal Planeta reafirma seu compromisso com um jornalismo fundamentado em documentos, na contextualização dos fatos e no respeito aos princípios da precisão, da imparcialidade narrativa e do interesse público. Sempre que possível, prioriza a apresentação dos elementos que permitam ao próprio leitor compreender os acontecimentos e formar suas conclusões a partir das informações disponíveis.

 

Fonte: Jornal Última Hora – Paraguai