Crise na Casas Bahia: Gigante do Varejo Fecha 298 Lojas e Pedem Recuperação Judicial para Renegociar Dívida de R$ 17,3 Bilhões

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Por: Ângelo Ribeiro Fróes

Em um dos maiores abalos do setor varejista brasileiro nos últimos anos, o Grupo Casas Bahia protocolou no último domingo (16) um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida, que visa reestruturar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões, vem acompanhada de um drástico plano de reestruturação que já resultou no fechamento de 298 lojas e na demissão de cerca de 3 mil funcionários em todo o país.

Fundada em 1952, a empresa, que também controla as marcas Ponto Frio e Extra, enfrenta o que seus executivos classificam como a “pior crise financeira desde sua fundação”. A decisão de entrar com o pedido de recuperação judicial, que abrange aproximadamente 28 mil credores, foi tomada após o agravamento do cenário macroeconômico, com juros elevados, restrição de crédito e queda no consumo das famílias, especialmente as de menor poder aquisitivo.

Estratégia de “Onda Única” e Fechamento de Lojas

A atual rodada de cortes faz parte da “Fase 2” do Plano de Transformação da empresa, iniciado em 2023. Na ocasião, 55 lojas já haviam sido fechadas . Desta vez, a estratégia foi mais agressiva. Segundo o CEO da varejista, Renato Franklin, a opção foi por uma “onda única” de fechamentos para eliminar todas as unidades deficitárias de uma só vez, evitando futuras ansiedades e ajustes graduais .

Optamos por realizar tudo de uma só vez. Teve uma dificuldade operacional, mas entendemos que era a melhor maneira de se fazer. Você resolve de uma vez, não gera ansiedade. Foi o ajuste que precisávamos fazer, eliminando todas as lojas que estavam na UTI”, afirmou Franklin em teleconferência com investidores .

O impacto foi sentido em todo o território nacional. Na Bahia, berço da marca, pelo menos 15 unidades foram encerradas, sendo 11 apenas na capital, Salvador. No Ceará, três lojas foram fechadas, incluindo uma no bairro Montese, em Fortaleza. Em Santa Catarina, o cenário foi ainda mais drástico: das 23 lojas que operavam no estado, 18 foram fechadas, restando apenas cinco unidades em funcionamento.

Resultados Financeiros e a Necessidade da Recuperação

Apesar do cenário negativo, a administração da empresa destacou alguns pontos positivos, como a geração de caixa de R$ 798 milhões no segundo trimestre, impulsionada pela redução de estoques e pelo fechamento de lojas. A recuperação judicial é vista como a ferramenta necessária para proteger o caixa da empresa e negociar de forma organizada com os credores, garantindo a continuidade das operações e a preservação dos mais de 20 mil empregos que ainda restam .

Planos para o Futuro e Reação dos Trabalhadores

A empresa está em negociações para captar cerca de R$ 1 bilhão em financiamento DIP (Debtor-in-Possession), um tipo de crédito específico para empresas em recuperação judicial, para manter a liquidez durante o processo. O CEO Renato Franklin afirmou que não há previsão de novos cortes de lojas ou funcionários, a menos que o cenário econômico se deteriore ainda mais em 2027.

Enquanto isso, os trabalhadores afetados buscam seus direitos. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) criticou a forma como os desligamentos estão sendo conduzidos, relatando que muitos funcionários ainda não foram informados sobre detalhes de suas rescisões contratuais, como o pagamento de verbas trabalhistas e a liberação do FGTS. A entidade afirmou que acompanhará a situação para garantir que os direitos dos comerciários sejam respeitados.