Especialista da USP refuta associação entre paracetamol e autismo e alerta sobre os riscos de desinformação

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Após a declaração do presidente dos EUA, a pesquisa pelo termo aumentou significativamente na internet. A professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto esclarece que não existem evidências científicas que sustentem tal afirmação, mas alerta sobre os riscos reais do medicamento para o fígado.

Por Ângelo Ribeiro Fróes

O termo “paracetamol” emergiu como a palavra mais pesquisada na internet esta semana, impulsionada por uma nova onda de desinformação. O súbito incremento no interesse surgiu após uma declaração polêmica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insinuando que a utilização do medicamento estaria associada ao aumento de casos de autismo. A declaração, entretanto, foi inequivocamente contestada por especialistas da Universidade de São Paulo (USP).

No episódio mais recente do podcast Palavra da Semana, produzido pela Rádio USP Ribeirão, a professora Deise Maria Antonio Sabbag, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), esclareceu que não há evidências científicas que sustentem qualquer relação entre o uso de paracetamol na gestação e o desenvolvimento do autismo.

PPara uma educadora, a propagação desse tipo de desinformação compromete a ciência e a saúde pública.“Os excessos de desinformação comprometem a dedicação e o trabalho de profissionais que investem décadas de suas vidas na busca por soluções para as aflições do nosso planeta e do nosso corpo”, declarou Sabbag.

Os riscos efetivos: fígado e etanol.

Embora o autismo não seja um efeito colateral do medicamento, o paracetamol — nome comum para o princípio ativo acetaminofeno — não é isento de riscos significativos se utilizado de maneira indireta.

Reconhecido como o analgésico e antitérmico mais prevalente globalmente, o fármaco apresenta contraindicações que muitas vezes são desconsideradas pela população em virtude de sua acessibilidade sem necessidade de prescrição médica. De acordo com um especialista, o uso excessivo ou estendido pode resultar em:

Insuficiência hepática grave: O fígado é o órgão encarregado de metabolizar a substância. Doses elevadas podem sobrecarregar o órgão, resultando em insuficiência hepática e, em casos extremos, na morte.

Interação com álcool: O medicamento é oficialmente contraindicado para consumidores regulares de bebidas alcoólicas, uma vez que a combinação aumenta a toxicidade hepática.

Doenças hepáticas pré-existentes: pacientes com patologias crônicas hepáticas devem abster-se do uso.

Combate à desinformação

O episódio enfatiza a relevância de verificar informações médicas em fontes fidedignas antes de divulgar conteúdo ou modificar tratamentos de saúde. A desinformação sobre medicamentos comuns pode provocar pânico ou resultar no uso inadequado de substâncias químicas.​

A fonte das informações é a Rádio USP Ribeirão, coordenada por Rosemeire Talamone e pela Professora Deise Maria Antonio Sabbag, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP).

Autor: Ângelo Ribeiro Fróes, jornalista formado desde 2017 em Jornalismo, autista e empresário.