Um documento de 33 páginas destaca fatores que imitam sintomas, como o uso excessivo de telas, e enfatiza a necessidade de intervenções cientificamente comprovadas.
Por Ângelo Ribeiro Fróes
A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) divulgou uma nova diretriz que visa orientar a prática de profissionais de saúde em todo o país em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Elaborado pelo Departamento Científico de Transtornos do Neurodesenvolvimento, o documento de 33 páginas atualiza recomendações essenciais para diagnóstico e tratamento, com um enfoque rigoroso na ciência fundamentada em evidências.
A finalidade primordial da publicação é instruir médicos, terapeutas e equipes multidisciplinares que trabalham com crianças e adolescentes, combatendo a desinformação e práticas desprovidas de evidências científicas que frequentemente geram confusão nas famílias.
Diagnóstico fundamentalmente clínico
No documento, enfatizamos que o diagnóstico do autismo não se fundamenta em exames laboratoriais ou de imagem, sendo predominantemente clínico. A identificação do transtorno deve ser elaborada por meio de:
Entrevistas minuciosas com os progenitores ou tutores; implementação dos critérios definidos pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Esta abordagem enfoca a relevância da qualificação do profissional para interpretar os sinais comportamentais e de desenvolvimento, assegurando um diagnóstico precoce e preciso. O Aviso das Telas e do Ambiente destaca que um dos aspectos mais proeminentes na nova diretriz é uma advertência sobre fatores externos que podem obscurecer o diagnóstico.
De acordo com os especialistas da SBNI, as condições de vulnerabilidade social e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos podem “mimetizar” sintomas do espectro autista. Isso implica que crianças expostas precocemente e em excesso a dispositivos eletrônicos, ou que habitem ambientes com escassos estímulos sociais, podem manifestar atrasos na fala ou dificuldades de observação direta da criança, interação que se assemelha ao Transtorno do Espectro Autista, mas que não é específica do transtorno neurobiológico. A diretriz requer, portanto, “atenção redobrada” dos profissionais para distinguir causas ambientais de condições neurológicas.
Ênfase em Evidências Científicas
NNo âmbito do tratamento, o SBNI adota uma posição clara contra terapias alternativas que não são validadas.O texto enfatiza intervenções fundamentadas em evidências científicas robustas e advoga pelo cuidado multidisciplinar englobando diversas especialidades médicas e terapêuticas como uma abordagem mais segura para o desenvolvimento infantil.
A atualização das diretrizes ocorre em um momento propício, atuando como um referencial confiável para lidar com o aumento do volume de informações sobre o autismo e garantindo que as intervenções inovadoras no Brasil atendam aos mais elevados padrões internacionais de saúde.
Fonte: G1.
Autor: Ângelo Ribeiro Fróes, jornalista formado desde 2017 em jornalismo, autista e empresário.
