Além do Comportamento: Pesquisa revela correlações genéticas robustas entre Autismo e TDAH

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Uma revisão integrativa da literatura conduzida por pesquisadores brasileiros elucida as bases biológicas compartilhadas de dois dos transtornos do neurodesenvolvimento mais prevalentes na infância.

Por Ângelo Ribeiro Fróes

Comumente consideradas condições separadas, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) podem compartilhar mais semelhanças do que a mera coexistência em diagnósticos clínicos. Um novo trabalho acadêmico, intitulado “Aspectos genéticos comuns entre o Transtorno do Espectro Autista e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: revisão integrativa da literatura”, explora as evidências de que essas condições possuem uma arquitetura genética útil compartilhada.

O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Matheus Mastrianni Lima Medeiros, Jade Souza Martins, João Marcos da Silva Dantas, Helder Elísio Evangelista Vieira e Albert Eduardo Silva Martins. A equipe converteu uma revisão integrativa, um método que sintetiza resultados de pesquisas anteriores para fornecer uma compreensão mais abrangente de um tema complexo.

A Sobreposição Diagnóstica

A relação clínica entre o TEA e o TDAH está amplamente documentada. Estima-se que uma proporção significativa de crianças com autismo também manifesta sintomas de hiperatividade ou desatenção, e vice-versa. No entanto, a pesquisa de Medeiros e seus colegas transcende uma observação comportamental, investigando as causas microscópicas dessa relação: o DNA.

A revisão destaca o conceito de pleiotropia, uma questão genética em que um único gene ou um conjunto de variantes genéticas afetam diversas características fenotípicas. As mesmas variantes de risco que predispõem um indivíduo ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) também podem aumentar a suscetibilidade ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

O que afirma a Ciência

Ao examinar a literatura científica contemporânea, o grupo enfatizou que não há um “gene do autismo” ou um “gene do TDAH” isolados. Ao contrário, ambos os transtornos são específicos e poligênicos, sendo influenciados por inúmeras pequenaAs variações genéticas mencionadas anteriormente são os pontos de convergência identificados na literatura e corroborados pelo estudo.

Vias Neurobiológicas: Modificações em genes que regulam neurotransmissores (como dopamina e serotonina) e que influenciam o desenvolvimento das sinapses (conexões entre neurônios) são prevalentes em ambos os transtornos.

Hereditariedade Compartilhada: Pesquisas em famílias e origens indicam que a herdabilidade (a fração da variação atribuída à genética ) apresenta uma sobreposição específica entre as duas condições . A pesquisa realizada por Matheus Mastrianni , Jade Souza, João Marcos, Helder Elísio e Albert Eduardo é essencial para a prática clínica contemporânea. Necessidade de que as terapias comportamentais frequentemente abordem os dois espectros de maneira simultânea.

Além disso, o reconhecimento dessas semelhanças biológicas mitiga o estigma, enfatizando que tais transtornos são variações neurobiológicas naturais e complexas, e não deficiências de caráter ou meramente consequências de fatores ambientais.

O estudo atua como um lembrete fundamental para a comunidade médica e científica: ao avaliar o paciente, é imperativo transcender os rótulos isolados, entendendo uma intricada rede genética que constitui a neurodiversidade humana.

Fonte: Matheus Mastrianni Lima Medeiros, Jade Souza Martins, João Marcos da Silva Dantas, Helder Elísio Evangelista Vieira, Albert Eduardo Silva Martins.