As Divergências das Pesquisas Eleitorais e as Urnas Eletrônicas
Uma coisa que chamou muito a atenção nessas eleições foram os erros grotescos dos institutos de pesquisa frente à realidade apresentada pelas urnas eletrônicas. O Datafolha mostrava Lula com 50% e Jair Bolsonaro com 36%, exibindo uma diferença de 14 pontos com margem de erro de 2 pontos. O Ipec apontava o petista com 51% e o atual presidente com 37%. No entanto, ao final da apuração, Lula obteve 48% e Jair Bolsonaro alcançou 43%.
O que as empresas de pesquisa deveriam ter feito? Primeiramente, elas precisavam reconhecer o erro. Contudo, não foi isso que ocorreu. Os institutos correram para alegar que pesquisa representa apenas um retrato do momento enquanto a eleição define o filme real. Além disso, argumentaram que, apesar de contas mal feitas, ninguém deveria reclamar, visto que apontaram Lula em primeiro, Bolsonaro em segundo, Simone Tebet em terceiro e Ciro Gomes em quarto lugar.
Não podemos esquecer que essas pesquisas recebem financiamento daqueles que as solicitam. Consequentemente, todo tipo de justificativa surge para proteger os institutos contra penalizações.
Pesquisas Erram e Divergem dos Resultados
Levantamentos divulgados na véspera do primeiro turno subestimaram os números obtidos por Bolsonaro. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas terminou em primeiro, contrariando todas as sondagens da campanha.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou 48,43% dos votos válidos neste domingo, contra 43,20% de Jair Bolsonaro, considerando 99,99% das urnas eletrônicas apuradas. Portando, esses dados contrastam diretamente com os índices divulgados na véspera.
“Os institutos vão precisar de atendimento psicológico porque parecem incapazes de captar esse movimento da direita, principalmente no Sudeste”, avalia o cientista político Renato Dolci.
A Confiabilidade das Urnas Eletrônicas
Segundo o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Social (IDEA Internacional), 23 países utilizam tecnologias eletrônicas para eleições gerais e outros 18 aplicam o sistema em pleitos regionais, incluindo Canadá, Índia, França e Estados Unidos.
Contudo, o Brasil integra o grupo de nações onde o sistema de votação não emite o comprovante impresso. Enquanto o TSE defende que as urnas eletrônicas operam com plena confiabilidade, críticos como o professor de computação Diego Aranha argumentam que democracias seguras produzem registros físicos dos votos em papel.
A Dinâmica da Apuração dos Votos
Quando a apuração atingiu 66%, os votos de Bolsonaro iniciaram uma trajetória de queda enquanto os de Lula aumentaram. Após análises feitas por internautas nas urnas eletrônicas, notou-se uma redução regular para um candidato e um crescimento linear para o outro no mesmo intervalo. Assim, segundo o matemático Angelo Froes, torna-se estatisticamente impossível uma eleição seguir um padrão matemático tão perfeito.

